Como te recordo…

Posted: Segunda-feira, Julho 21, 2008 in Fotografias, Pensamentos
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É ao regressar a ti que percebo o quanto de mim tens… o quanto da minha história guardas!

Recordar-te não é unicamente lembrar, não é unicamente guardar na memória coisas tontas ou idiotas que se passaram…

É principalmente sentir a diferença da Ana que pisou o teu chão pela primeira vez, da Ana que regressou a ti uma segunda vez e da Ana que hoje sou e de onde a minha câmara de captou!

Quando olho para ti, sei que o que vivi ali, nessa mesma falésia há anos atrás.

Quero acreditar que este sitio me consiga sempre trazer uma certa melancolia, uma paz e um reboliço!

És tu farol o único testemunho das tardes que passava sentada junto a ti, coberta de razões e incertezas. Mergulhada em dúvidas mas de certa forma feliz.

Tu conheces-me!

Hoje não me sinto a mesma, sinto-me desiludida, triste e cansada!

Pois as tuas ondas não são as mesmas, a tua brisa não acalma e o sono que dormi junto a ti… nada deixou assentar!

Sinto um vazio persistente, procurei em ti um fim-de-semana em que não tivesse nada em que pensar, que fosse só para me divertir, apenas procurava descontrair, não pretendia mais do que estar!

Encontrei dúvidas, perguntas, justificações e grandes confusões.

Fragmentos… Mais uma vez consegui me fragmentar e desejar que as horas passassem… mas ao contrário do que parece, desta vez tive muito calma e não percipitei o fim!

A Vida parece ser mesmo assim, tudo num tempo incerto! E eu estou tão cansada…

Ana Coelho

Além-tédio

Nada me expira já, nada me vive ---
Nem a tristeza nem as horas belas.
De as não ter e de nunca vir a tê-las,
Fartam-me até as coisas que não tive.

Como eu quisera, enfim de alma esquecida,
Dormir em paz num leito de hospital...
Cansei dentro de mim, cansei a vida
De tanto a divagar em luz irreal.

Outrora imaginei escalar os céus
À força de ambição e nostalgia,
E doente-de-Novo, fui-me Deus
No grande rastro fulvo que me ardia.

Parti. Mas logo regressei à dor,
Pois tudo me ruiu... Tudo era igual:
A quimera, cingida, era real,
A própria maravilha tinha cor!

Ecoando-me em silêncio, a noite escura
Baixou-me assim na queda sem remédio;
Eu próprio me traguei na profundura,
Me sequei todo, endureci de tédio.

E só me resta hoje uma alegria:
É que, de tão iguais e tão vazios,
Os instantes me esvoam dia a dia
Cada vez mais velozes, mais esguios...

                      Mário de Sá-Carneiro

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