Cedo se vai quem fica…

Posted: Sexta-feira, Agosto 22, 2008 in Amigos

É engraçado como os anos vão passando mas as amizades verdadeiras vão resistindo a todo o tipo de intempéries.

Estou-me a referir ao André e à Ana, dois amigos que gosto muito, por quem tenho muita consideração e por quem espero e desejo as maiores felicidades do Mundo.

Poderiam ser dois amigos comuns, como há às centenas, mas não… são realmente duas pessoas especiais que se descobriram. Hoje quero especialmente falar sobre o eu – André.

E porquê!? Porque ontem, teria sido um dia drasticamente normal se não fosse o André fazer parte da minha vida.

Há quase dois anos que o percurso Almada – Setúbal faz parte do meu dia-a-dia, e só quem o faz milhares de vezes por ano sabe o quanto a viagem (que não passa de uns 44 quilómetros) se torna aborrecida. É ao volante na A2 que muitas vezes tomo decisões, é ali frente ao conta-quilómetros irrequieto que matuto sobre mil e um assuntos e é muitas vezes colando o pé ao acelerador que choro quando me sinto cheia de desilusões.

É sem dúvida uma viajem que se torna muito solitária.

Há duas semanas que este cenário se tinha alterado. O André tinha arranjado um “trabalho” (temporário) em Setúbal e poderíamos passar a ir juntos, para além de nos fazermos companhia rachávamos a despesa. Ao final do mês são cerca de 200 euros em gasóleo e em portagem (LADRÕES!!).

Foram duas semanas diferentes. Um dia ia eu buscá-lo a casa, no outro ia ele ter comigo. O André afirmava que assim conseguiria “arranjar um pretexto para se levantar a horas”, no fundo também tive de acordar com ele. Tivemos, realmente, sorte. Apanhamos as primeiras semanas de Agosto, Portugal pára, e por vezes parecia que só nós os dois estávamos a ir trabalhar.

Vinte minutos de conversa para lá e outros vinte para cá… ouvíamos música e recordávamos muitos episódios. Ontem foi o último dia que isto aconteceu…

… Acabou-se a companhia! E ao despedir-me ontem do André consegui ler nos olhos dele um pouco de tristeza  e compaixão, por reconhecer que agora voltaria à estrada sozinha. Disse adeus com um sorriso, mas cá dentro estava verdadeiramente comovida por saber, que sem ele precisar de dizer nada, que este meu amigo era nestes pequenos gestos que me mostrava o porquê da nossa amizade e cumplicidade.

Há coisas que temos que enfrentar sozinhos, mas vale sempre a pena partilhar dias, mesmo que poucos, com pessoas que nos fazem bem.

Adoro-te gajo… Sê muito feliz e quando precisares ou quiseres tens sempre lugar em qualquer dos bancos do meu carro.

Ana Coelho

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