Polícia, Madame e duas Romenas

Posted: Quarta-feira, Janeiro 21, 2009 in Para Rir
Etiquetas:,

Que às vezes a vida não nos corre da melhor maneira eu já sabia! Agora que, havia a hipótese de estar sossegadinha e acontecer coisas que eu não posso de maneira nenhuma controlar e que não dependem de mim e que me façam passar uma tarde e principio de noite na polícia… realmente é DOSE!

O que venho aqui contar não é propriamente o que me levou à polícia. Isso fica para outras núpcias, mas sim o que aconteceu na polícia.

professions_13Estive em duas esquadras, mas apenas quero relatar a Esquadra da PSP (Polícia de Segurança Pública) de Setúbal na Bela Vista (bom sítio ah!?).

Já passavam das 15h15 quando eu e a Patrícia decidimos que a situação já estava a rocar o ridículo e o psicopatia e nos deslocamos ate à PSP. Sabiamos que ia ser demorado (desconfiavamos) apenas não sabiamos que poderia ser divertido (muito mesmo).

Entrámos na esquadra. O normal para quem conhece alguma esquadra. Balcão de mármore e alguns polícias do lado de lá. Muita entrada e saída, as famosas curtas frases “177 chama 55” (por exemplo) só faltava o “Roger” e uma televisão… (esta eu ainda estou a tentar perceber, já explico).

Falamos com o polícia que estava destacado para aquele trabalho ingrato e por quem eu me tornei solidária. Ao mesmo tempo duas raparigas de etnia romena estavam algemadas (segundo as poucas coisas que percebi tinham sido apanhadas a furtar uma casa) coladas a um aquecedor a óleo, que está naquele hall de entrada do tamanha de uma sala de aula e com a porta aberta para a rua.

Se elas não tivessem a aquecer-se eu acusaria a PSP de uso irresponsável de energia, pois aquilo não aquecia nem um metro quadrado do espaço. Enfim…

As duas detidas falavam uma língua esquesita, não identificavel para mim, e uma delas respondia em espanhol, o que levava os guardas a dizer, epá ou falas português ou então não percebo nada do que dizes.

Estavam ali as duas sentadas num banco atrás de mim, o que me deixava um pouco desconfortável, hablando, hablando, hablando. O cheiro era do pior possivel, tanto que a Patrícia sem qualquer tipo de amor ao dinheiro agarra no frasco do novo perfume do Jean Paul Gaultier “Madame”, que anda religiosamente na mala, e pulveriza o ar. Posso garantir que normalmente sou super chata quando ela tem este comportamento, mas ontem não pode deixar de levantar os braços e lhe agradecer, na verdade tinha mesmo vontade de me ajoelhar e dizer “AllÁ!”.

Durante quase duas horas estivemos ali, encostadas ao balção de mármore a ditar ao senhor guarda a ocorrência, os nossos dados pessoais, e um apanhado geral do sucedido. Um processo moroso, quase kafkiano, que deu de fruto 5 linhas numa folha A4, às quais eu e a Patrícia tivemos um ataque de riso incontrolável que até nos deixou envergonhadas, mas que a Patrícia não conseguiu resistir e largar um comentário “Já ouviu falar da montanha que pariu um rato?” A desculpa do agente foi que o programa era lento, o que nós não dúvidamos – apenas não sabemos se era o programa informático ou o programa humano… – pois o texto tinha muitos espaços e pontos, justificou. Só posso pernunciar “QUE MEDO!”

Derepente e sm estarmos à espera, saiem a correr um grupo de poliícas, que creio serem das forças especiais a correr com caçadeiras. A Patrícia, que já adiantada a hora e se tinha esquecido onde se encontrava disse “Ahhhh! Aquilo era uma espingarda… Uma pessoa não está habituda!”.

Não resisti… Mas do que é que ela estava à espera!? De polícias com um espanador, para irem “limpar o local”? Tem desculpa… aquele cheiro era insuportável!

No entanto e enquanto esperavamos que o agente escrevesse mais umas duas linhas, tiraram às raparigas romenas as algemas que lhes seguravam os braços atrás das costas. O surreal é que se mantiveram sentadas, pediram para fumar e pareciam que estavam na esplanada, até café foram buscar.

Tudo isto deve ser normal… na Babilónia!

Tentava eu dar o meu número de telefone ao agente e a Patrícia pergunta-me se tenho dinheiro, ao que contra-ataquei revoltada, com outra pergunta: “Mas tenho que pagar?” Mais uma vez a Patrícia desatou a rir e respondeu entre gargalhadas “Não… é para eu ir tirar café!” :S

What a Fuck… Mas o que é que se estava a passar alí.

O melhor de tudo é que toda a gente sabe que não sou nada púdica e falo tudo o que tenho que falar em portugues correcto e incorrecto. Mas O Sr. Autoridade queria que eu dissesse as injurias a que estava a ser sujeita em alto e bom som, pois era impossivel ouvir o que quer que fosse naquela esquadra. Ao que me retraí e disse: “Mas tenho mesmo que dizer!? Não posso escrever!?” Mais risos da Patrícia que estava a achar piada ao meu ar recatado e santo (do pau oco).

Mas é verdade digo “Filho da Puta” se estou irritada e não quando a ira já me passou e só consigo recordar a folha a sair da impressora com cinco linhas.

Foi uma seca abrutalhada! Pois o que era algo que me estava a irritar solenemente tornou-se motivo de paródia, ao ponto de a Patrícia “prometer” à esquadra que no próximo IRS na parte das doações vai remeter para a Polícia para a compra de tapetes, pois aquilo era gelado.

Uma tarde inteira que se resumiu em: Jean Paul Gaultier, capuccino/café, risos, polícias com espingadas e uma queixa de cinco linhas de algo que se passa à dois dias.

É o estado do país e das nossas almas!

Ah já me ia esquecendo da parte da televisão. A televisão do posto de Setúbal estava sintonizada no Canal Hollywood e a certo momento os guardas mudam o canal para as noícias a tomada de posse do Obama. Coisa que não me tinha apoquentado se não quando à noite vou à esquadra de Almada e a televisão desses polícias que se encontram a quase 4o quilómetros, estava sintonizada mais uma vez no Canal Hollywood e em certo momento alguém o modou para o Obama.

Acho que aquilo foi uma mensagem para mim… Tradução o meu filme com a polícia é por causa de uma america.

Ana Coelho

Advertisements
Comentários
  1. Patrícia Gomes diz:

    juro que ainda foi mais divertido!!!!! e o esquadrão da morte? com aquele…..alto, moreno e sei lá mais o quê que uma rapariga só tem vontade de dizer…..help!! preciso de ajuda! looolooool

    ah… e esqueceste de mencionar o polícia baixinho, gordinho e com um olho para a merd…. que lá estava….. juro.te que cada vez que olhava para ele pensava…mas que raio de testes físicos é que fazem na polícia portuguesa???

    Beijoca

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s