Serviço do caraças

Posted: Quarta-feira, Fevereiro 4, 2009 in Crónicas
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saudeÉ incrível o estado em que a saúde do nosso país se encontra.

Raramente utilizei o Serviço Nacional de Saúde, felizmente até aos 25 tive serviço privado graças a minha mãe.

Só que de repente, vejo-me a morar com a minha mãe, a ganhar um salário nada por ali além (pelo menos não corresponde à ideia inicial quando se tira um curso superior), sem conseguir poupar e longe de ter a “verdadeira” independência. Quem lê isto chega à mesma conclusão que eu, ainda sou uma jovem…

O mais interessante é que para a burocracia do país eu deixei de ser jovem no dia 21 de Abril de 2008, quando fiz 26 anos. Perdi a minha conta jovem na Caixa Geral de Depósitos, perdi o direito ao meu Cartão Jovem (CJ)que usava apenas para bilhetes da CP – Comboios de Portugal e para bilhetes de cinema, mas que agora com a ZON e o Cartão Viva Lisboa até é melhor porque se antes com o CJ só tinha desconto e agora com estes tenho bilhetes de borla.

O problema é que trabalho em Setúbal, não tenho Viva Lisboa e como não tenho casa própria não tenho nenhum contrato com a ZON…

Para além de ter perdido estas coisas que não passam de superficialidades, perdi outras que eram bem importantes e que me davam um jeitão, tal como ser beneficiária do SAMS, através da minha mãe. Que foi exactamente o que precisei ontem!!

Vejamos, sendo a minha mãe bancária tanto eu como o meu pai éramos beneficiários directos do SAMS. A minha mãe divorciou-se à quase dois anos, mas há pouco tempo recebo em casa uma carta do SAMS, com três cartões, dois de beneficiários e um de utente. É claro e por lógica eu que sou filha, para sempre da minha mãe (até prova em contrário) deixo de beneficiar e o meu pai, que neste momento para além de um calhau no sapato, já não é nada a minha mãe mas recebe cartão de beneficiário. Ora bolas que lógica é que isto tem!?

Mas continuando, telefonei para o Serviço Nacional de Saúde para marcar uma consulta, para uma especialidade que agora não interessa para o caso. Resposta é que o meu centro de saúde está sem médicos e que como eu não tenho médico de família, só me arranjam consulta lá para Maio.

“O QUÊ!?” exclamei, do outro lado não obtive qualquer tipo de resposta.

Ontem desloquei-me ao Hospital do SAMS, do qual sou apenas utente, para que a minha médica do SAMS me atendesse, visto que é quase impossível arranjar consulta também para ela. Esta situação deve-se ao facto de ela realmente ser uma médica cinco estrelas.

Eram 15h00 quando dei entrada no serviço de obstetrícia daquele hospital e apenas ia ali para que a minha médica através de uma pequena cirurgia me retira-se o Implanon do braço, algo que demora mais ou menos 10 minutinhos, ou menos numa pessoa normal.

Entre cesarianas e não sei mais o quê, fui atendida por volta das 18h00 e picos.

Quem me conhece sabe que morro de medo de seringas… pavor, pânico, fobia, entre outras coisas mais que sejam hipérboles de medo.

local

Agora imaginem eu a dar voltas e voltas, tipo pai que espera ansiosamente o nascimento do filho, mas como quem espera a hora de entrar para o matadouro.

A espera estava a sufocar-me, cada minuto que passava o meu super ego dizia “pira-te, foge daqui”.

Mas eu mantinha-me ali…

Finalmente chegou a minha hora, a médica mandou-me deitar, pois já sabe de vários anos que o normal é eu ficar pálida, fechar os olhos e tombar.

Deitei-me, vi-a a preparar a anestesia e o meu coração batia cada vez mais forte e mais alto. Pavoroso!

Sentou-se do meu lado esquerdo, a enfermeira agarrou-me a mão direita e ela decide espetar-me com aquela agulha fininha. Senti-me a retrair!

Enquanto me cortava um bocadinho de pele com o bisturi e usava a pinça para me retirar implante mantinha uma conversa que deveria ser bastante interessante mas que não me interessava para nada que estava a começar a irritar-me solenemente.

Sem aguentar mais os determinantes na garganta exclamei: “Podem parar com a conversa paralela e falem comigo que eu estou a entrar em ácidos!?”.

Fez-me de repente silêncio… durou apenas alguns segundos, pois num gesto sádico resolveram continuar a lenga-lenga e prolongar o meu suplício, parando de fazer o que estavam a fazer de duas em duas sílabas.

Quando aquilo acabou, parecia que tinha demorado uma eternidade de segundos.

O pior é que estive lá dentro cerca de 20 minutos para fazer algo que demoraria 10 minutos e estava naquele hospital à cerca de três insuportáveis horas, para parir um implante.

É claro que esta brincadeira vai-me custar mais de 30 euros e eu recordo a enfermeira do Serviço Nacional de Saúde me dizer, com toda a calma, que apesar de ter perdido a validade o implante poderia lá ficar no braço até Maio, mesmo que a validade expirasse a 09 de Janeiro de 2008.

E se fossem todos pó caraças!? Ah… E que tal se forem todos pó caraças até Maio!?

Ana Coelho

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